O preconceito linguístico em discussão

“Infelizmente, existe uma tendência (mais um preconceito!) muito forte no ensino da língua de querer obrigar o aluno a pronunciar ‘do jeito que se escreve’, como se essa fosse a única maneira ‘certa’ de falar português. (...)” A polêmica frase do linguista Marcos Bagno é apenas uma, dentre as muitas premissas que serviram de mote para a discussão a respeito do Preconceito Linguístico na sociedade vigente, engendrada pelos educandos da 1ª série do Ensino Médio do Colégio Sagrado Coração de Jesus, Unidade Educacional do SAGRADO - Rede de Educação localizada na cidade de Garibaldi/RS.

Munidos do conhecimento prévio em Norma Culta e Variações Linguísticas, os educandos puderam argumentar consistentemente sobre a distinção entre o que caracteriza o certo e o errado dentro da regra gramatical da Língua Portuguesa e o que pode ser aceito no que tange ao uso da linguagem no dia a dia. Assim, confirmando o mote proposto da distinção entre alguns gêneros textuais específicos e a dependência contextual destes em contraposição à liberdade expressiva coloquial.

Educadora Fabiana Ziliotto Fellini


Necessidade de metamorfose

Conforme citava a famosa escritora francesa Simone de Beauvoir: “Quando se respeita alguém não queremos forçar a sua alma sem o seu consentimento.”. A discriminação em relação ao modo de falar é uma questão muito recorrente na atualidade. De um lado, têm-se aqueles que se consideram superiores por sua maneira comunicativa, de outro há os que auxiliam na correção com respeito. De que forma o preconceito conectado à língua surge e quais são seus impactos nas relações sociais, levando em conta sua gravidade?

Em primeira instância, o processo mostra-se como uma intolerância às diversas variantes de um idioma. O alto poder aquisitivo é um dos fatores iniciais do problema, visto que indivíduos com uma boa escolaridade e uma base educacional adequada são os agressores mais comuns. Ademais, as vítimas podem apresentar uma forte exclusão do âmbito de convivência, como distúrbios psicológicos, o que impede a demonstração de aspectos pessoais, que permanecem escondidos.

Outrossim, o Brasil apresenta muitas variedades linguísticas em cada canto do país. A cultura e a história dos povos se constroem a partir dos diferentes dialetos e expressões, bem como as influências recebidas nessas áreas. Historicamente, o Estado brasileiro englobou nações estrangeiras, como imigrantes italianos e alemães. Esse conjunto de fatos, somado à presença dos indígenas e portugueses e a vinda dos escravos africanos, gerou o Português moderno e em constante transformação.

Portanto, faz-se premente a busca por soluções para resolver o impasse. O Governo deve criar leis de proteção contra qualquer tipo de desrespeito aos cidadãos, aplicando punições significativas aos intolerantes. A mídia precisa parar de estereotipar as pessoas que se comunicam de maneira distinta à padronização da língua, fazendo campanhas e palestras de ajuda à desconstrução da discriminação linguística aos indivíduos. As escolas necessitam abordar o tema mais profundamente com os educandos, exibindo as demais variedades do Português, a fim de que se extinga com a negligência pela forma de expressão do outro.

Educanda Letícia Casagrande - 1ª série EM