A crise da ética no país.

No Brasil hodierno, quando uma infinidade de atos de desonestidade é descoberta diariamente, uma discussão séria sobre ética se faz necessária na busca de uma mudança de postura social. A Filosofia ensina que uma sociedade não sobrevive e nem se desenvolve sem uma consciência mais clara e um maior reconhecimento dos valores que considera fundamentais: como a justiça, a solidariedade e a honestidade.

Nesse contexto, os educandos da 1ª série do Ensino Médio do Colégio Sagrado Coração de Jesus, Unidade Educacional do SAGRADO - Rede de Educação localizada na cidade de Garibaldi/RS, em suas dissertações para o ENEM, foram desafiados a desenvolver a temática sobre “A crise da ética no país.”, e a buscar soluções plausíveis para a problemática apresentada.

Educadora Fabiana Fellini


Necessidade de mudança

No livro Os Miseráveis de Victor Hugo, é retratada a França do século XIX em que se despontam cenários de riqueza e pobreza, juntamente com a ascensão das indústrias e o crescimento do capitalismo. Nesse sentido, a narrativa foca na trajetória de Jean Valjean, um homem simples e que é obrigado a furtar um pão para sustentar sua família, sendo preso pelo ato. Fora da ficção, é fato que a realidade proposta por Hugo pode se relacionar com a ética na contemporaneidade: as ações são classificadas como corretas ou incorretas segundo o padrão de moralidade, desconsiderando os fatores externos os quais o indivíduo está exposto.

Mormente, é importante destacar que o comportamento dos cidadãos é regido através de normas e regras que o colocam em funcionamento na sociedade. Destarte, o ser humano vive sob o maniqueísmo dos fatos: o bem e o mal, o certo e o errado e a diferenciação de cada um pela ótica do caráter tornam-se subjetivos. De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, os fenômenos sociais podem ser postulados em normais e patológicos, sendo as doenças da comunidade problemas recorrentes como a corrupção, a violência e em suma, complicações que desnorteiam o viver ético.

Outrossim, as atitudes humanas não devem ser analisadas apenas pela perspectiva individual, mas estudadas em um âmbito coletivo com o intuito de que se compreenda que o mundo é resultado passivo das escolhas das pessoas. Nessa lógica, partindo-se do pressuposto que ninguém nasce com preceitos morais pré-estabelecidos, a educação abre portas para a construção da personalidade moral, elemento essencial para a quebra do individualismo e a formação de uma população que adere à cidadania e ao bem comum.

Portanto, é mister que o Estado tome as devidas providências para amenizar o quadro atual. O Governo deve fortificar leis, bem como os direitos dos cidadãos, a fim de promover uma organização grupal adequada e apta a conviver coerentemente. Os veículos midiáticos precisam proporcionar campanhas publicitárias e palestras a respeito da ética em seus diversos ramos para os indivíduos. Do mesmo modo, urge que as instituições de ensino abordem o tema com seus educandos. Somente assim, poderá se estabelecer uma comunidade com uma realidade distinta da vivenciada por Jean Valjean.

Educanda Letícia Casagrande